Ajuda a gente??? =)

Shijing, O Livro das Canções (por A. Doeblin)

Extratos

1.ODE. O NÂ

(Usada para sacrifícios a Tang, fundador da dinastia Shang)

Admirável! Perfeito! Aqui estão nossos tambores. Harmoniosos ressoam os tambores. Para deleitar nosso venerável antepassado.

O descendente de Tang com esta música o invoca. Pois ele pode aliviar-nos pela realização de nossos desejos. Profundo é o som de nossos tambores. Agudas soam as flautas. Todas entre si se harmonizam e se combinam. Em acordo com as notas da gama sonora. Oh! O descendente de Tang é majestoso. Verdadeiramente admirável é a sua música.

Os grandes sinos e os tambores enchem os ouvidos. As danças desenvolvem-se grandiosamente. Temos admiráveis visitantes que se mostram deleitados. Desde a Antigüidade, antes de nossa época, os primeiros homens nos deram exemplo. Como ser mansos e humildes de manhã à noite. E ser reverente no desempenho do serviço.

Ele pode contemplar nossos sacrifícios do Inverno e do Outono. Oferecidos assim pelo descendente de Tang!



2. ODE. O WEI THIEN KIH MING.

(Celebrando a virtude do rei Wen)

Profundas e ininterruptas são as leis do Céu! Ah! Ilustre era a simplicidade da virtude do rei Wen!

Agora, como mostra sua bondade? Vamos acolhe-la lu­tando para o igualarmos, a ele, nosso rei Wen. Oxalá seus descendentes mais remotos sejam iguais a ele!



3. ODE. O THIEN ZO

(Usada para sacrifícios do rei Tai)

Fez o Céu a altiva colina e o rei Tai cultivou o país que a cerca. Ele começou e o rei Wen concluiu tranqüilamente esse trabalho até que o escarpado monte Qi teve caminhos planos que a ele conduziam. Que o protejam os seus des­cendentes!



4. ODE. O FANG NIEN

(Ode de ação de graças por um Ano abundante)

Abundante é o ano com muito milho e muito arroz e nossos altos celeiros estão cheios de centenas, de milhares, de milhões de medidas de cereal. De bebidas espirituosas e be­bidas suaves para oferecer a nossos antepassados, homens e mulheres, e realizar todas as nossas cerimônias. Os benefícios que nos foram concedidos são inumeráveis.



5. ODE. O QING QIH

(Qing Qang enumera seus bons propósitos e pede a ajuda de seus ministros para poder realizá-los)

Seja eu reverente! Seja eu reverente! O caminho do Céu é tão claro! E seu mandato não se cumpre facilmente. Não diga eu que isso está muito acima de minhas forças. Ascende e descende em torno de nossos atos. Vigia-nos diariamente, onde quer que estejamos.

Sou um jovem sem inteligência para mostrar-me reveren­temente atento aos meus deveres. Mas por diário progresso e adiantamento mensal posso aprender a me apoderar de frag­mentos de conhecimento, até que chegue a possuir uma inte­ligência brilhante. Ajudai-me a suportar o peso de minha posição. Ensinai-me como mostrar uma conduta virtuosa.



6. ODE. O ZÂH YUEH

(Queixa e apelo de Zhuang Qiang contra o mau trato que recebeu do esposo)

Ó Sol, ó Lua, que iluminais esta baixa terra! Aqui está o que não me trata de acordo com a antiga lei. Como pode ter a consciência tranqüila? Será que não me quer ver?

Ó Sol, ó Lua que dais sombra a esta baixa terra! Aqui está o homem que não me quer dar sua amizade. Como pode ter tranqüila a consciência? Será que não me quer corresponder?

Ó Sol, ó Lua, que vindes do Oriente! Ó pai, ó mãe! Para nada serviu o me haverdes criado. Como pode ter tranqüila a consciência? Será que não me quer corresponder, contra toda razão?



7. ODE. O PEI MAN

(Um funcionário de Wei expõem sua pesada tarefa)

Saio pela porta do norte com o coração cheio de pesar. Vivo mal e sou pobre. Ninguém conhece minha desgraça. Eis aí! O Céu é que assim fez. Que posso dizer?



8. ODE. O BAl ZHOU

(Protesto de uma viúva a quem se apressa para casar novamente)

Flutua daqui para ali esse bote de madeira de cipreste, aí no meio do Ho. Com suas duas mechas de cabelo caídas sobre a fronte, era meu companheiro. E juro que até a morte não terei outro. Ó mãe, ó Céu, por que não queres compreen­der-me?

Flutua daqui para ali esse bote de madeira de cipreste aí perto do Ho. Com suas duas mechas de cabelo caídas sobre a fronte, ele era o meu único. E juro que até a morte não cometerei a má ação. Ó mãe, ó Céu, por que não quereis compreender-me?



9. ODE. O TÂ KU

(Escusa-se uma dama)

Sua grande carruagem roda e seu trajo de cerimônia brilha como o junco novo. Não penso em ti? Mas temo este funcionário e não me atrevo a correr até onde tu estás.

Na vida podemos ocupar diferentes divisões, mas uma vez mortos, compartilharemos da mesma tumba. Se dizes que não sou sincera, juro-te pelo Sol brilhante, que sou.



10. ODE. O FAN SHIU

(Elogio de certo marquês de Lû)

Agradável é o lago semicircular, recolhemos o mastruço ao seu redor. O marquês de Lu chega e vemos sua insígnia em forma de dragão. Sua insígnia ondeia ao vento. E as sinetas de seus cavalos harmoniosamente tilintam. Pequenos e grandes, todos seguem o príncipe que se aproxima.

Agradável é o lago semicircular e recolhemos nele as algas. O marquês de Lu chegou e, com seus cavalos soberbos. Seus cavalos são grandes. Sua fama é brilhante. Olha suave­mente e sorri. Sem nenhuma impaciência, dá suas ordens.

Agradável é a lagoa semicircular e a seu redor recolhemos as malvas. O marquês de Lu chegou a ele e está bebendo no colégio. Está bebendo bons vinhos. Oxalá chegue a uma cidade avançada, de que poucas vezes se desfruta! Oxalá aja de acordo com as grandes linhas de conduta, assim governando todo o povo!



11. ODE. O PI KUNG

(Elogio do duque Xî)

Puros e tranqüilos são os templos, solenes em sua forte solidez e minuciosa perfeição! Eminente era Qiang Yuan, cuja virtude não se desviava. Deus a contemplava favoravelmente e sem dano nem ferida, imediatamente, quando completaram seus meses, deu à luz a Hou qi. A este foram outorgados todos os favores divinos. Saber como amadurece depressa o milho comum e mais tarde o milho dos sacrifícios. Como semear primeiro os legumes e logo o trigo. Cedo foi investido com um Estado inferior e ensinou o povo a semear e colher o milho comum e o milho dos sacrifícios, o arroz e o centeio antes de todo o país, continuando assim a obra de Yu.



12. ODE. O WEN WANG

(Celebrando o rei Wen morto e vivo)

O rei Wen está no alto. Oh! Como brilha no firmamento! Embora fosse Zhou um país velho, o mandato favorável desceu sobre ele. Ilustre era a Casa de Kâu e o mandato chegou no momento oportuno. O rei Wen ascende e descende à esquerda e à direita de Deus.

Zelosamente ativo era o rei Wen, e sua fama não tem fim. Os dons de Deus a Zhou se estendem aos descendentes do rei Wen na linha direta e nos ramos colaterais durante cem gerações. ­Todos os funcionários de Zhou serão também ilustres através das idades.

Serão ilustres através das idades, prosseguindo zelosa e reverentemente seus planos. Admiráveis são os numerosos funcionários nascidos no seu reino. O reino é capaz de produzir esses sustentadores da Casa de Zhou. Numeroso é o corpo de funcionários e graças a eles o rei Wen goza seu descanso.

Profundo era o rei Wen. Oh! Contínuo e brilhante era o seu sentimento de reverência. Grande é o mandato do Céu! Ali estavam os descendentes dos soberanos de Shang. Os descendentes dos soberanos de Shang eram mais de centenas de milhares. Mas quando Deus deu a ordem, converteram-se em súditos de Zhou.

Converteram-se em súditos de Zhou, pois o mandato do Céu não é inalterável. Os funcionários de Yin, admiráveis e alertas, assistem às libações em nossa capital. Assistem a essas libações levando sempre a figura do machado em suas vestes e no chapéu. Ó vós, ministros leais do rei: pensai sempre em vosso antepassado!

Pensai sempre em vosso antepassado. Cultivando vossa virtude. Tratando sempre de estar de acordo com a vontade do Céu. Assim lograreis uma grande felicidade. Antes de Yin perder as multidões, os reis estavam em correlação com Deus. Vede Yin como farol. O grande mandato não se cumpre facilmente.

O mandato não se cumpre facilmente. Não provoqueis vossa própria extinção. Mostrai e tornai brilhantes vossas retidões. Os feitos do alto Céu não têm som nem perfume. Tomai como vosso modelo de rei Wen, e milhares de regiões depositarão em vós sua confiança.



13. ODE. O MIM LAO

(Numa época de desordem e sofrimento)

O povo sofre uma pesada carga, mas talvez se possa aliviá-lo um pouco. Cuidemos carinhosamente desse centro do reino, para assegurar a tranqüilidade de suas quatro regiões. Não sejamos indulgentes para com o astuto e servil, a fim de tornar prudente o inconsciente e reprimir os ladrões e opres­sores, que não temem a clara vontade do Céu. Logo mostremo-nos bondosos com os que estão distantes e ajudemos aos que estão perto, consolidando assim o trono do nosso rei.



14. ODE. O PAN

(Um funcionário experiente lamenta-se pela miséria que prevalece)

Deus inverteu seu procedimento habitual e os humildes estão cheios de angústia. As palavras que pronunciais não são justas; os planos que traçais não são de grande alcance. Como não há sábios, pensais que careceis de guia. Não sois realmente sinceros. Por isso vossos planos vãos não seguem muito longe e por isso severamente vos censuro.

O Céu envia calamidades agora. Não sejais tão compla­centes. O Céu produz agora essas perturbações. Não sejais tão indiferentes. Se vossas palavras fossem harmoniosas o povo se uniria. Se vossas palavras fossem suaves e bondosas o povo se tranqüilizaria.

Embora meus deveres sejam distintos dos vossos, sou vosso companheiro de trabalho. Venho para aconselhar-vos e vós me ouvis com depreciativa indiferença. Minhas palavras referem-se aos urgentes assuntos atuais. Não acrediteis que constituam matéria para riso. Os antigos tinham esta máxima: “Consulta os que apanham a erva e a lenha”.

O Céu exerce opressão, agora. Não vos burleis desse modo das coisas. Como ancião falo com sinceridade completa, mas vós, mais jovens do que eu, estais cheios de orgulho. Não é que minhas palavras sejam as da idade avançada, mas vós vos burlais do que é triste. Mas as inquietações se multiplicarão como chamas até que já não tenham remédio.

O Céu mostra agora seu rancor. Não sejais jactanciosos aduladores, afastando-vos completamente de toda conduta decorosa, até que os homens bons se convertam em personificações da morte. O povo agora suspira e geme e não nos atrevemos a examinar as causas do seu mal-estar. A ruína e a desordem esgotam todos os meios de vida e não nos mostramo­s bondosos para com as nossas multidões. O Céu ilumina o povo como a flauta de bambu responde ao silvo terrestre. Como as duas metades de um todo. Como ao tomardes uma coisa e a levardes na mão, levais sem mais rodeios. A ilus­tração do povo é muito fácil. Agora possui, por si mesmo, muitas perversidades. Não exibi diante dele vossa própria perversidade.

Os homens bons são uma vala. As multidões são muralha. Os grandes Estados são biombos. As grandes famílias, contrafortes. O cuidado da virtude assegura a tranqüilidade. O círculo dos parentes do rei é uma muralha fortificada. Não devemos deixar que seja destruída a muralha fortificada. Não devemos deixar que o rei esteja solitário e consumido pelo terror.

Venerai a cólera do Céu e não vos atreveis a divertir-vos por vosso prazer. O Grande Céu é inteligente e vos acompanha por toda a parte. O Grande Céu é clarividente e vos acompanha até nos vossos extravios e nas vossas indulgências.



15. ODE. O ZHAN ZANG

(O escritor deplora a miséria e a opressão que prevalece)

Contemplo o grande Céu, mas não nos mostra bondade. Temos vivido inquietos durante muito tempo e nos enviaram essas grandes calamidades. Ninguém no país está tranqüilo. Os funcionários e o povo estão angustiados. Cheios de insetos por fora e por dentro, não há paz nem limite para nossa miséria. A rede do crime não foi levantada e não há paz nem remédio para nosso Estado.

Por que assim nos condena o Céu? Por que não nos favorece o Céu? Descuidais de vossos grandes inimigos bár­baros e me olhais com ódio. Não tendes em conta os maus presságios que abundam, e vossa conduta é completamente indigna. Os homens bons foram-se embora e é certo que este país vai para a ruína.

O Céu lança sua rede e muitas, nessa rede, são as calami­dades. Os homens bons se foram embora e meu coração sofre. O Céu lança sua rede e logo estará todo enredado nela. Os homens bons se foram embora e meu coração está triste.

Diretamente da fonte chega a água borbulhante, revelando sua profundidade. A dor do meu coração, será apenas de hoje? Por que não aconteceram antes de mim essas coisas? Ou por que não depois de mim? Mas misteriosamente grande o Céu é capaz de fortalecer tudo. Não desonreis vossos grandes antepassados. Isso salvará vossa posteridade.



16. ODE. O XIAO YUAN

(Algum funcionário, numa época de desordem)

Pequena é a pomba arrulhadora, mas voa alto para o céu. Meu coração está ferido pela pena e penso em nossos as­cendentes. Quando amanhece não posso dormir e penso em nossos pais.

Os homens graves e prudentes, embora bebam, são hu­mildes e sabem dominar-se. Mas os extraviados e ignorantes cada dia se entregam mais à bebida. Cuidai cada um de vós de vossa conduta. O que o Céu concede, uma vez perdido, não se recupera.

O vendilhão vem e vai bicando as sementes no terreiro. Ai do aflito! Ai do solitário, considerado hóspede indigno das prisões! Com um punhado de cereal saio e adivinho como posso tornar-me bom.



17. ODE. O XIAO MING

(Um funcionário que prestou serviço durante muito tempo no exterior, apela para o Céu)

Ó brilhante, alto Céu, que iluminas e governas este baixo mundo! Vem nesta expedição ao leste, até o deserto de Chu. Desde o primeiro dia do segundo mês passei frio e calor. Meu coração está triste. O veneno de minha sorte é amargo demais. Penso nos que estão na Corte em seus postos e minhas lágrimas fluem como chuva. Bem desejo voltar. Mas temo a rede do crime.

Ah! Vós, cavaleiros! Não conteis que seja permanente o vosso descanso. Cumpri tranqüilamente os deveres de vossos cargos, associando-vos com os corretos e os justos. Assim vos escutarão os espíritos e vos darão o bem.

Ah! Vós, cavaleiros! Não conteis que seja permanente o repouso. Cumpri tranqüilamente os deveres de vossos cargos, amando os corretos e os justos. Assim vos ouvirão os espíritos e vos darão grandes quantidades de felicidade cintilante.



18. ODE. O FU TEN

(Descrição das fainas agrícolas e dos sacrifícios com elas relacionadas)

Alegres são estes campos extensos, uma décima parte de sua produção é anualmente tomada como tributo. Com as velhas provisões alimento os agricultores. Desde os tempos de outrora temos tido anos bons e agora vou-me para as terras do sul onde uns extirpam as ervas daninhas e outros juntam a terra em torno das raízes. O milho parece exuberante e numa ampla clareira reúno e estimulo os homens que mais prometem.

Com meus vasos cheios de brilhante milho e meus puros carneiros vitimários, sacrificamos no altar dos espíritos da terra e nos altares dos espíritos das quatro regiões. O estado dos meus campos em tão boas condições, é o que enche de alegria os lavradores. Tocando os alaúdes e fazendo ressoar os tambores invocaremos o Pai da Agricultura e lhe imploraremos uma chuva suave, para aumentar o produto de nossas colheitas e tornar felizes meus homens e suas mulheres.

O longínquo descendente chega quando suas esposas e filhos levam o alimento aos que trabalham nas terras do sul. O inspetor dos campos também chega e está alegre. Toma o alimento à esquerda e à direita e prova-o para ver se é ou não é bom. O cereal está bem cultivado nos campos. Será bom e abundante. O longínquo descendente mostra-se satisfeito e estimula os lavradores a que se mostrem diligentes.

As colheitas do longínquo descendente parecem altas como tetos de colmo e altas como a coberta de uma carruagem. Empilham-se formando ilhas e montículos. Serão necessários milhares de celeiros, centenas de carros. O milho, o arroz e o painço provocarão a alegria dos agricultores e estes dirão: “Oxalá seja recompensado com uma grande felicidade, milhares de anos, vida sem fim!”