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Fragmentos do livro de Taigong, Os seis ensinamentos secretos

A arte de governar

O rei Wen disse a Taigong: Gostaria de aprender a arte de governar um Estado. Que tenho de fazer para ser um governante venerável e manter o povo tranqüilo?

Taigong: Apenas ame seu povo.

Rei Wen: E como devo amar meu povo?

Taigong: Beneficia-o, não lhe faças mal. Ajuda-o a ter sucesso, não o derrotes. Concede-lhe a vida, não lha retires através do assassí­nio. Dá, em vez de exigir. Proporciona-lhe prazer, não inflijas sofri­mento, Faça-o feliz, não lhe dês motivos para se enfurecer contigo.

Rei Wen: pode me explicar melhor o que acabou de dizer?

Taigong: Quando o povo não perde as suas mais importantes ocupações, está sendo beneficiado. Quando os camponeses não perdem as colheitas, está ajudando-o. Quando se reduzem as punições e as multas, eles têm vida. Quando fixas impostos moderados, dás em vez de tirar. Quando não exageras no número de palácios, mansões, terra­ços e pavilhões, dás-lhes prazer. Quando os funcionários são puros e não irritantes ou desordeiros, eles estão felizes.

Os seis tesouros e as três defesas

O Rei Wen perguntou a Taigong: Como pode um chefe de Estado e líder de um povo perder a sua posição?

Taigong retorquiu: Isso acontece quando ele não tem cuidado a escolher as pessoas a quem se associa. Um rei tem seis defesas e três tesouros.

O rei Wen indagou: Quais são as seis defesas?

Taigong: benevolência, retidão, lealdade, confiança, coragem e previdência.

O rei Wen quis saber: E como podemos usar as seis defesas para selecionar pessoas?

Taigong: Faça-os ricos e vê se eles cometem algum crime. Dá­-lhes uma posição elevada e vê se eles se tornam arrogantes. Dá-lhes responsabilidades e vê se isso não os transforma em homens diferen­tes. Emprega-os e vê se não ocultam nada de ti. Faça-os correr perigo e vê se não sentem medo. Dá-lhes a gestão dos assuntos do Estado e vê se não ficam perplexos. Se os fizeres ricos e não cometerem nenhum crime, são benevolentes. Se lhes deres uma posição elevada e não se tornarem arrogan­tes, são retos. Se lhes deres responsabilidades e não mudarem, são leais. Se os empregares e não te ocultarem nada, são valorosos e de confiança. Se os colocares em perigo e não sentirem medo, são cora­josos. Se lhes deres a gestão dos assuntos do Estado e não ficarem perplexos, são capazes de planear.

O governante não deve emprestar os três tesouros a outros homens.

Se os emprestar, perderá a sua capacidade de inspirar pavor.

Rei Wen: E quais são esses três tesouros?

Taigong: A grande agricultura, a grande indústria e o grande comércio são conhecidos como os 'três tesouros'. Quando os agricultores são agricultores, teremos os cinco cereais básicos. Quando os artesãos são artesão, temos todos os utensílios. Quando os mercadores são mercadores, as mercadorias são suficientes. Se os três tesouros estiverem no lugar certo, o povo não fará maquinações. Não permitas a confusão entre as áreas, não permitas confusão entre os clãs. Os ministros não podem ser mais ricos que o governante. Nenhuma cidade pode maior que a capital do Estado. Quando as seis defesas são aplicadas corretamente, o governante será venturoso. Quando os três tesouros estiverem completos, o Estado estará seguro.

Topografia dos oito terrenos

O rei Wu perguntou: Quais são as oito condições de terreno que conduzirão à vitória?

Taigong respondeu: «Quando as fileiras do inimigo - a frente e a retaguarda - não estiverem consolidadas, ataca-o.

Quando as bandeiras e os pendões do inimigo estiverem num caos e os seus homens e cavalos vaguearem de um lado para o outro, ataca-o.

Quando alguns dos seus oficiais avançarem, enquanto outros reti­ram, quando alguns vão para a esquerda e outros para a direita, ataca-o.

Quando a sua ordem de batalha não for ainda consistente e os seus oficiais e soldados andarem, desnorteados, a olhar uns para os outros, ataca-o.

Quando, ao avançar, parecerem cheios de dúvidas e, ao retirar, cheios de medo, ataca-os.

Quando os Três Exércitos do inimigo se assustarem repentina­mente e se instalar uma grande confusão, ataca-os.

Quando estiveres a lutar em terreno fácil e o lusco-fusco chegar sem que ele se tenha conseguido libertar da batalha, ataca-o.

Quando, depois de percorrer uma grande distância, ao anoitecer, o inimigo estiver acampado e os seus Três Exércitos aterrorizados, ataca-o.

Estas são as oito condições em que os carros de combate sairão vitoriosos.

Se o general dominar estas dez condições desfavoráveis e estas oito possibilidades de vitória, então, mesmo que o inimigo o cerque por todos os lados - atacando com mil carros e dez mil cavaleiros - poderá galopar para a frente e investir para os lados e, em dez mil batalhas, acabará sempre por sair vencedor.

Excelente!, disse o rei Wu.

Os dez ataques com cavalaria

O rei Wu perguntou a Taigong: Como devemos utilizar a cavalaria na batalha?

Taigong disse: Para a cavalaria, existem dez situações que podem conduzir à vitória e nove à derrota.

O rei Wu perguntou: Quais são as dez situações que podem levar à vitória?

Taigong retorquiu: Quando o inimigo chega em primeiro lugar e as suas linhas e disposição ainda não estão consolidadas, a frente e a retaguarda não estão ainda unidas, nessa altura, ataca a sua cavalaria da vanguarda e os flancos esquerdo e direito. O inimigo, com toda a certeza, irá fugir.

Quando as linhas e a disposição do inimigo estão bem ordenadas e consolidadas e os seus oficiais e tropas querem lutar, a nossa cavalaria deve flanqueá-los, mas sem avançar muito. Uma parte deve cavalgar para o lado, outra parte para a frente. Devem ser tão velozes como o vento e tão fortes como o trovão, para que a luz do dia se torne tão sombria como o crepúsculo. Mude as nossas bandeiras e pendões várias vezes. Muda também os uniformes. Nessa altura, o exército inimigo pode ser derrotado.

Quando as linhas inimigas e a sua disposição não estão ainda con­solidadas e os seus oficiais e tropas não estão dispostos a lutar, pres­siona-o quer pela frente quer pela retaguarda e investe repentinamente sobre as suas alas direita e esquerda. Se o flanqueares e o atacares, ele, com toda a certeza, vai se assustar.

Quando, ao pôr-do-sol, o inimigo quiser voltar ao acampamento e os seus Três Exércitos estiverem aterrorizados, se o conseguirmos envolver por ambos os flancos, atacando sem demora a sua retaguarda e pressionando o acesso às suas fortificações com o intuito de não o deixar entrar, ele, com toda a certeza, será derrotado.

Quando o inimigo, muito embora sem contar com a proteção de ravinas e desfiladeiros para reforço das suas defesas, tiver penetrado em território longínquo e tiver implementado lima ordem de batalha pouco eficaz, se cortarmos as suas linhas de abastecimento, padecerá de fome, com toda a certeza.

Quando o terreno é plano e fácil e vemos a cavalaria inimiga aproximar-se por todos os lados, se os nossos carros de combate e a nossa cavalaria o atacarem, ele, com toda a certeza, desorganizar-se-á.

Quando o inimigo corre em fuga, os seus oficiais e tropas se espalham e o caos se instala, se parte da nossa cavalaria o envolver pelos dois flancos, enquanto que a outra parte lhe corta o caminho à frente e na retaguarda, o seu general poderá ser capturado.

Quando, ao anoitecer, o inimigo empreende o regresso com uma enorme quantidade de soldados, as suas linhas e disposição ficarão certamente mergulhadas no caos. Temos de organizar a nossa cavala­ria em pelotões de dez e regimentos de cem, grupos de carros de combate de cinco e companhias de dez, e desfraldar o maior número de bandeiras e pendões misturados com besteiros fortes. Uma parte deve atacar os flancos e outros cortar a frente e a retaguarda. Então, o general inimigo será aprisionado. Estas são as dez situações nas quais a cavalaria pode sair vitoriosa.

(adaptado de T’ai Kung Os seis ensinamentos secretos. Lisboa: Silabo, 2003)