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Fragmentos do Sima Fa

O código de honra dos combates

Na antiguidade, guerreiros não perseguiam soldados em fuga por mais de cem passos, e não perseguiam um exército em retirada por mais de três dias; assim, mostravam cavalheirismo.

Eles não taxavam os incapacitados e eram misericordiosos com os feridos e doentes; assim, mostravam a sua compaixão. Eles deixavam os batalhões se formarem antes de atacá-los; assim, mostravam a sua cortesia. Eles lutavam por princípios, e não por lucro; assim, mostravam a sua justiça. Eles concediam perdão àqueles que se rendiam; assim, mostravam a sua coragem. Eles sabiam como as coisas começavam e como elas chegavam a termo; assim, mostravam a sua inteligência.

Essas seis virtudes eram ensinadas juntas, em épocas apropriadas, como um meio de unir as pessoas. Essa é a política de tempos imemoriais.

O governo sábio

O governo dos reis da antiguidade seguia as leis da natureza, fun­damentadas nas vantagens da terra, e nomeavam os virtuosos dentre o povo para as repartições; mantinham as coisas em or­dem, na sua exata definição, instituíam estados e dividiam obri­gações, pagando salários de acordo com a patente. Líderes locais recebiam solidariedade de bom grado, ao passo que potências estrangeiras pagavam tributo. Os castigos acabaram e a guerra cessou. Esse é o governo através da virtude esclarecida. A segunda coisa melhor, depois da virtude esclarecida, é o gover­no dos reis sábios, os quais instituíam ritual, música e lei, depois criavam punições e mobilizavam a soldadesca para atacar o in­justo. Fazendo viagens para apuração de fatos, examinando méto­dos regionais, eles reuniam os líderes locais e ajustavam as suas diferenças. Se algum deles tivesse negligenciado o seu mandato, perturbado a normalidade, rejeitado a moralidade, resistido à na­tureza ou ameaçado um líder meritório, os reis sábios anuncia­vam tudo isso aos chefes locais, deixando bem claro a ocorrência de crime, declarando-o até mesmo a Deus no alto, ao Sol, à Lua, às estrelas e aos planetas. Orando para os espíritos da terra e dos mares, montanhas e santuários locais, eles apelavam aos seus ancestrais. Somente depois disso, os primeiros-ministros convocavam tropas dos chefes locais.

Cuidados durante uma invasão

Quando você entrar no território de um agressor, não permita que haja profanação de santuários sagrados, caça nos campos, destruição de infra-estrutura, incêndios em áreas residenciais, desmatamento, confisco de animais domésticos, de grãos ou ma­quinaria. Quando você vir o velho e o jovem, escolte-os em segu­rança e não deixe que os machuquem; e, mesmo se vir homens sadios, não os ataque se eles não entrarem em confronto com você. Se você ferir adversários, dê-lhes tratamento médico e mande-os para casa. Após o agressor ter sido executado, as autoridades central e local reestruturavam o Estado, nomeavam gente capaz para ins­tituir uma liderança esclarecida, restaurando a ordem social.

(adaptado de Thomas Cleary, A sabedoria do guerreiro. São Paulo: Record, 2001)

O governo ideal

As formas através das quais os reis e líderes governavam os senhores feudais eram seis:

Com território davam forma aos senhores feudais.

Com diretivas governamentais eles pacificavam os senhores feudais.
Com ritos e boa fé eles faziam com que os senhores feudais se lhes aproximassem.
Com pessoas sábias e força eles agradavam os senhores feudais.
Com estrategistas eles restringiam os senhores feudais. Com armas e armaduras, eles forçavam a submissão aos senhores feudais.

Partilhando o infortúnio com eles, dividindo os benefícios, eles uniam os senhores feudais. Eles faziam com que os estados menores servissem os maiores para fazer com que os senhores feudais entrassem em harmonia.

Nove proibições

Eles os reuniam para anunciar nove proibições:

Aqueles que se aproveitassem de (estados) fracos ou transgredissem contra aqueles esparsamente populosos teriam suas fronteiras reduzidas em todos os lados.

Aqueles que assassinassem os meritórios ou prejudicassem o povo seriam atacados (e depostos).

Aqueles que fossem brutais dentro de seus estados e transgredissem em outros fora dele seriam purgados.

Aqueles cujos campos ficassem selvagens e cujo povo se dispersasse seriam reduzidos. Aqueles que se baseassem na solidez (de vantagens naturais) para desobedecer ordens seriam invadidos.
Aqueles que prejudicassem ou matassem seus parentes seriam retificados.
Aqueles que depusessem ou matassem seus regentes seriam exterminados.
Aqueles que se opunham às ordens e resistissem ao governo seriam isolados.
Aqueles que fossem caóticos e rebeldes tanto dentro quanto fora de suas fronteiras, que agissem como animais, seriam extintos.

Ordem civil e militar

Na antiguidade a forma e o espírito governando assuntos civis não seriam achados no reino militar; aqueles apropriados no reino militar não seriam achados na esfera civil. Se a forma e o espírito (apropriados ao) reino militar entrar na esfera civil, a virtude do povo decairá. Quando a forma e o espírito (apropriados à) esfera civil entrarem no reino militar, então a virtude do povo enfraquecerá.

Na esfera civil palavras são refinadas e o discurso é lânguido. Na corte a pessoa é respeitosa e cortês, ele não se adianta; se nada lhe for perguntado, ele não fala. É difícil avançar, mas fácil se retirar.

No reino militar a pessoa fala diretamente e queda-se firme. Quando arrumado na formação a pessoa foca no dever e age decisivamente. Aqueles usando armadura de combate não se inclinam; aqueles em bigas de guerra não necessitam observar as formas da decoro (li); aqueles guarnecendo fortificações não necessitam apressar-se. Em tempos de perigo a pessoa não presta atenção à qualidade se ser mais velho ou mais veterano. Assim formas de comportamento civis (li) e padrões militares (fa) são como o dentro e fora; o civil e o marcial são como a esquerda e a direita.

[tradução de Marcos Beltrão, Os métodos de Ssu-Ma]