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Fragmentos do Wei Liaozi

Preparação

A dignidade é uma questão de imutabilidade. A generosidade é uma questão de senso de oportunidade. A inteligência é uma questão de reagir aos acontecimentos. O combate é uma questão de domínio do espírito. O ataque é uma questão de imprevisibilidade. A defesa é uma questão de organização externa. A impecabilidade é uma questão de medida e cálculo. A resistência é uma questão de preparo. A prudência é uma ques­tão de precaver o pequeno. A sabedoria é uma questão de gerenciar o grande. Livrar-se de pragas é uma questão de determinação. Ganhar seguidores é uma questão de ser humilde com os demais.

O arrependimento está em confiar no duvidoso. O mal está no massacre. O preconceito está no egoísmo. O infortúnio está em detestar saber dos próprios defeitos. O excesso está em esgo­tar a riqueza do povo. A falta de clareza está em admitir intrusos. A insubstancialidade está em representar com demasiada facili­dade. A estreiteza mental está em alienar a inteligência. A calami­dade está na especulação. A injúria está na familiaridade com pessoas insignificantes. A ruína está em não se ter defesa. O peri­go está em não se ter ordem.


Punição e Recompensa

Castigos e recompensas são meios de revelar talento marcial. Se uma milícia pode ser toda ela levada a estremecer diante da exe­cução de um homem, mate-o; se dez mil pessoas conseguem se alegrar com a recompensa de um homem, então dê-lhe uma recompensa. As execuções mais impressionantes são as de pessoas importantes; as recompensas mais impressionantes são aquelas feitas a pessoas menos importantes.

Quando aqueles que merecem ser executados são invariavel­mente executados, ainda que tenham uma alta patente, sejam pessoas importantes, isso significa atingir a todos, de baixo para cima; se recompensas são dadas, mesmo que sejam a vaqueiros e a cavalariços, isso significa recompensar de cima para baixo. Ser capaz de castigar as mais altas patentes e recompensar as mais baixas é o talento marcial de um comandante militar; é por isso que líderes de homens levam os comandantes a sério.

A importância do exército e da agricultura

Um país grande dá ênfase à agricultura e ao combate; um país médio dá ênfase ao conforto e à defesa; um país pequeno dá ên­fase aos negócios e à subsistência. Com agricultura e combate ele não busca poder externo; com conforto e defesa, ele não busca ajuda externa; com negócios e subsistência, ele não busca re­cursos externos.

Vigilância interna

Na organização militar, cinco pessoas formam um grupo; os membros do grupo responsabilizam-se uns pelos outros. Dez pes­soas formam um pelotão; os membros do pelotão responsabili­zam-se uns pelos outros. Cinqüenta pessoas formam um batalhão; os membros do batalhão responsabilizam-se uns pelos outros. Cem pessoas formam um regimento; os membros do regimento responsabilizam-se uns pelos outros.

Se um grupo tem membros que transgridem ordens ou infringem regras, os demais são isentos de castigo, se notificarem isso; se tiverem conhecimento disso, mas não notificarem, toda o grupo é castigado. Se um pelotão tem membros que transgridem ordens ou infringem regras, os demais são isentos de castigo, se notificarem isso; se tiverem conhecimento disso, mas não notificarem, toda o pelotão é castigado.

Se um batalhão tem membros que transgridem ordens ou infringem regras, os demais são isentos de castigo, se notificarem isso; se tiverem conhecimento disso, mas não notificarem, todo batalhão é castigado.

Se um regimento tem membros que transgridem ordens ou infringem regras, os demais são isentos de castigo, se notificarem isso; se tiverem conhecimento disso, mas não notificarem, todo o regimento é castigado.

Os oficiais, de comandantes de pelotão a generais, responsabilizam-se uns pelos outros; se algum transgride ordens ou infringe regras, aqueles que notificam isso escapam do casti­go, ao passo que aqueles que têm conhecimento, mas não notifi­cam, estão sujeitos ao mesmo castigo.

Quando grupo e pelotões são coesos e os escalões mais al­tos e mais baixos estão vinculados, não há traição que não seja descoberta, ou uma má ação que não seja notificada. Pais não podem favorecer os próprios filhos; irmãos mais velhos não po­dem favorecer os seus irmãos mais novos. Principalmente quan­do compatriotas se alojam juntos e comem juntos, como pode haver quaisquer transgressões de ordens ou favoritismo?

Recompensas e punições em ações militares

A regra para se unir o grupo é a seguinte: Cinco pessoas formam um grupo, têm a mesma insígnia e respondem a um oficial comandante. Se elas perdem urna parte de sua equipe, mas tomam outra, isso é levado em conta. Se elas tomam uma equipe sem haver perdas, há uma recompensa. Se perdem parte da equipe, sem tomar uma equipe, são executadas, e as suas famílias, mortas.

Se se perde o chefe de um pelotão ou grupo, mas se captura um chefe, isso é levado em conta. Se um chefe é capturado sem haver perda, há uma recompensa. Se se perde um chefe sem a captura de outro, os responsáveis são executados, e as suas famílias, mortas, a não ser que voltem à batalha e cortem a cabeça de um chefe inimigo, o que os absolverá. Se um comandante é perdido, ao se capturar um comandante inimigo, isso é levado em conta. Se um comandante inimigo é capturado sem haver perdas, há uma recompensa. Se um comandante é perdido ao se fracassar na captura de um comandante inimigo, os responsáveis são acusados de deserção.

(adaptado de Thomas Cleary A sabedoria do guerreiro. São Paulo: Record, 2001)


“Um estado de dez mil bigas (concentra-se) tanto na agricultura quando na guerra. Um estado de mil bigas (focaliza -se) em salvar (outros) e em se defender. Um estado de cem bigas (se entrega) a servir e apoiar (outros estados). Aqueles engajados na agricultura e guerra não buscam qualquer autoridade fora de si mesmos; aqueles que salvam outros e se defendem não buscam ajuda fora de si mesmos; e aqueles que servem e apóiam outros estados não buscam recursos materiais fora de si mesmos. Agora se (os recursos da pessoa) não são nem suficientes para ir travar batalha nem adequados para permanecer dentro das fronteiras e defender o estado, a pessoa deve corrigir (a insuficiência) com mercados. Mercados são os meios para prover tanto para a guerra tanto ofensiva quanto defensiva. Se um estado de dez mil bigas carece de estados de mil bigas para lhe assistir, deve ter mercados capazes de fornecer cem bigas.

“Em geral, execuções fornecem os meios para iluminar o marcial. Se executando uma pessoa todo o exército tremer, mate-o. Se recompensando uma pessoa dez mil pessoas se alegrarem, recompense-o. Ao executar, valorize o grande; ao recompensar, valorize o pequeno. Se alguém deve ser morto, então mesmo que seja honrado e poderoso, deve ser executado, pois isto será punição que chega até o topo. Quando recompensas alcançam até os vaqueiros e cavalariços, isto é recompensas fluindo para baixo (até o mais baixo). Agora a habilidade de implementar punições que cheguem até o topo e recompensas que fluem para baixo (até o mais baixo), é o carisma marcial do general. Assim regentes valorizam seus generais.

“Agora quando o general comandante pega o tambor, brandindo as baquetas do tambor, e se aproxima do perigo para uma batalha decisiva de forma que os soldados se choquem e as lâminas nuas se entrechoquem – se ele bater o tambor sinalizando o avanço e eles responderem para arrancar a vitória, então ele será recompensado por sua realização e sua fama estará estabelecida. Se ele bater o tambor para o avanço, mas eles falharem, então ele mesmo morrerá e o estado perecerá. Por esta razão a sobrevivência e a extinção, a segurança e o perigo todos quedam-se no fim das baquetas do tambor! Como não se poderia valorizar o general?

“Agora pegando os tambores e vibrando as baquetas, fazendo com que os soldados colidam e as lâminas se entrecruzem de forma que o regente alcance grande sucesso através de assuntos militares eu não acho difícil. Os antigos diziam, ‘Atacando sem bigas com proteção, defendendo sem equipamentos como estrepes de ferro, isto é o que é significado por um exército que não é excelente em nada!’ Olhando sem ver e escutando sem ouvir é o resultado do estado não ter mercados.

“Agora mercados são escritórios para bens diversos. (O governo deve) comprar itens que são baratos no mercado e vender aqueles que ficaram caros para restringir os aristocratas e o povo. As pessoas comem (somente) três quilos de rações secas de grão por mês, e os cavalos comem nove quilos de feijões por mês, então por que é que as pessoas têm uma cara esfomeada e os cavalos têm uma aparência emaciada? Os mercados têm bens para entregar, mas o escritório não tem um controlador. Agora se você criar o mais bem treinado exército do mundo mas não gerenciar os bens diversos, isto não é o que é referido como ‘ser capaz de conduzir a guerra’.

[Tradução de Marcos Beltrão, O Mestre da Guerra Wei Liao]